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Versa: o sedã quase médio da Nissan

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Com excelente custo-benefício, modelo é sucesso de público

Quando a Nissan chegou ao Brasil, no começo da década de 90, a marca era pouco conhecida no mercado brasileiro, lembrada apenas por seu quadrado SUV Pathfinder, que chegou a vender bem nas grandes capitais e centros urbanos. Outros modelos que a japonesa trouxe ao longo dos anos, como Maxima, Primera, Sentra, entre outros, pouco foco tiveram. A partir de 2002, com a produção nacional da picape Frontier em São José dos Pinhais, no Paraná, a marca começou a despontar. Utilitários como o XTerra e a própria Pathfinder se mantiveram como opções sólidas no mercado de jipes importados.

Aos poucos, a Nissan foi penetrando na seara verde e amarela. Em 2004, trouxe o Sentra mexicano, com seu design pouco agradável e defasado em relação aos concorrentes: Honda Civic e Toyota Corolla. Vendeu pouco. Em 2007, chegou o novo Sentra: bonito, moderno, com bom preço e que vendeu – e vende – relativamente bem. No ano seguinte, veio o Tiida. Em 2009, a Livina. A cada ano, a marca foi expandindo sua linha de produtos e de concessionárias. Uma estratégia segura e que vem dando resultado. Hoje, a japonesa é a sexta colocada no ranking de marcas mais vendidas, na frente de Honda e Peugeot, por exemplo.

APRESENTANDO…

No final do ano passado, a Nissan, antes uma marca premium, desembarcou no segmento dos carros populares com o March, um produto global, compacto e despojado. Vem agradando pelo preço baixo, pelo projeto moderno e o design simpático. Mas a cereja do bolo é a sua versão seda, com um pouco mais de refino: o Versa. Juntando um conjunto mecânico bem acertado, um espaço interno surpreendente e um preço justo, o sedã foca na excelente relação custo/benefício. E o mercado vem respondendo, já que o carro tem filas de espera que podem chegar aos quatro meses, dependendo da cidade. Um sucesso.

Sua categoria, a dos sedãs “quase médios”, é uma das atuais coqueluches do Brasil. Com Chevrolet Cobalt e Fiat Grand Siena, vem atraindo consumidores de compactos e populares que desejam subir de nível, sem gastar muito, mas sem abrir mão de espaço, conforto e um motor mais potente. Uma fórmula bastante rentável. Produzido no México, o Versa só não vende mais porque a fábrica não vem conseguindo atender a demanda. Acaba perdendo para a concorrência: em junho, foram 9.482 unidades vendidas do Siena (que inclui as baratas versões Fire, EL 1.0, EL 1.4), 5.953 do Cobalt (boa parte delas abastecendo as frotas de táxis) contra 2.741 do Versa, segundo dados da Fenabrave.

ESMIUÇANDO…

São três versões (S, SV e SL), todas equipadas com o bom 1.6 16v com abertura de válvulas variável, que rende 111 cavalos com álcool ou gasolina. São 15,1 mkgf de torque a 4 mil rpm. A direção é elétrica progressiva, com peso certo em velocidades altas e leve em manobras. A suspensão dianteira é firme, transmitindo muitas imperfeições do asfalto para a cabine, enquanto que a traseira é um pouco mole, o que prejudica em curvas mais ousadas e exigindo uma velocidade menor em redutores de velocidade – ou a suspensão atinge seu batente. Mas, pela proposta do carro, bastante familiar, os erros são atenuados. O câmbio tem boas relações e as 5 marchas são engatadas com facilidade, de maneira justa.

O design é racional. Não chega a ser um Renault Logan onde a função modelou a forma, mas também não é uma obra de arte. Na versão avaliada, a top de linha SL com rodas de liga, consegue-se ver elegância no Versa, a depender do ângulo. Aliás, as rodas poderiam ter aro 16, dariam um ar mais luxuoso ao carro.

O interior agrada bastante. Há espaço de sobra para quatro adultos e conforto com o eventual quinto passageiro. Mesmo se o motorista tiver mais de 1,80m (como é o caso do que vos fala), quem tiver atrás não vai reclamar. O acabamento é simples, mas bem feito. Materiais populares, mas bem montados, com arremates bem feitos. O tecido na porta e a maçaneta cromada dão um pouco de sal ao habitáculo. O quadro de instrumentos nas versões de entrada e intermediária é o mesmo do March, ou seja, minimalista. O da SL, chamado de “Fine Vision”, tem iluminação permanente e é de fácil leitura. Os bancos vestem bem o motorista e são confortáveis. O rádio é o padrão da Nissan, tem funcionamento simples e combina com o painel de uma maneira geral. A ressalva vai para o carpete, muito tosco e precisando de reparos, mesmo sendo um carro com menos de 6 mil quilômetros, no caso do avaliado. O porta-malas é bom, com 460 litros,  e tem opção de abertura interna e pela chave que, aliás, agora engloba todos os comandos, aposentando o velho chaveirinho da Nissan (presente no irmão mais velho, Sentra).

DIRIGINDO…

O Versa é um bom carro para as cidades. Mesmo sendo maior que outros sedãs compactos (4,45m de comprimento com 2.60m de entre-eixos), é estreito e, combinado com o motor 1.6, o sedã é bastante ágil no trânsito urbano. Com a direção levinha e os bons retrovisores, as balizas são tranqüilas, mas um sensor de estacionamento caia muito bem no bojudo para-choque. A embreagem é leve e demora a cansar no anda-e-para das metrópoles. Em vias expressas, comporta-se bem, embora grite um pouco acima das três mil rotações. Faltou isolamento acústico, é verdade, mas vale lembrar que o modelo é o carro mais barato dos Estados Unidos, onde custa pouco mais de 22 mil reais.

Nas estradas, conforme já dissemos, o espaço agrada, assim como o desempenho. Chega-se a 120 km/h rapidamente e as retomadas e acelerações são satisfatórias. A segurança é garantida com freios ABS com distribuição eletrônica de frenagem (EBD), disponíveis na versão mais cara. O airbag duplo é de série.

O consumo é adequado a um carro com motor 1.6 16v e flex. Na cidade, andando com pé um pouco pesado, dá para fazer 7, 7,5 km/l com álcool. Na estrada, a 100-130km/h uma média de 13 km/l é bastante possível. Mais rápido, o pequeno tanque de 41 litros seca rapidamente.

Para um dono de um Sentra 2.0, era possível esperar reclamações quanto à potência e ao refino, mas não: o Versa, com sua largura menor, é até mais prático que o irmão maior. Na estrada, obviamente os 143 cavalos do Sentra fazem a diferença, mas se as rodovias não forem uma realidade muito constante, vale a pena economizar os 8 mil reais de diferença entre o Versa SL e o Sentra 2.0.

COMPRANDO…

A versão de entrada S vem razoavelmente completa: airbag duplo, computador de bordo, duo elétrico, direção elétrica, ajustes de banco e volante e abertura interna do tanque do combustível. Ar condicionado como opcional. Custa, com o IPI reduzido, 33.890 reais. A intermediária SV acrescenta ar condicionado, vidros traseiros e retrovisores elétricos, rádio CD-Player com entrada para iPod e auxiliar, banco bi-partido, cintos de três pontos para todos, retrovisores pintados e maçanetas externas cromadas. Por 38.490 reais. E a top SL adiciona rodas de liga leve aro 15, faróis de neblina, maçanetas internas cromadas, painel “always on” e freios ABS/EBD. É seu por 41.290 reais. A pintura metálica é opcional. São três anos de garantia para todas as versões e os pacotes de revisão tem preço fixo.

OPINANDO…

É uma excelente compra. Com todos os bons atributos (desempenho, ESPAÇO, preço) e descartando os poucos erros, o Versa é uma opção segura de carro familiar para a cidade e para viagens também. E os compradores estão descobrindo isto. A versão mais cara reúne conforto e espaço de sedã médio com preço de compacto e é a mais adequada. Por 42 mil reais, é a melhor opção do mercado. Caso prefira o conforto do câmbio automático, espere mais um pouco, pois a Nissan deve lançar a opção sem embreagem até o fim do ano. Mas nada de automatizado, como o rival da Fiat: será um CVT, como o que equipa o modelo vendido nos EUA (tomara que venha junto com o interior clarinho).

Ficha Técnica

Aceleração – 0 a 100 km/h 10,7 s
Valor – R$ 35.490
Velocidade Máxima – 189 km/h
Torque – 15,1 kgfm (álcool) 15,1 kgfm (gasolina) a 4000 rpm
Potência – 111 cv (álcool/gasolina) a 5600 rpm
Consumo Urbano – 8,9 km/l (álcool) 13,6 km/l (gasolina)
Peso – 1069 kg
Consumo Rodoviário – 13 km/l (álcool) 18,8 km/l (gasolina)
Cilindrada – 1598 cc
Porta-malas – 460 litros
Tanque – 41 litros
Comprimento – 4455 mm
Largura – 1695 mm
Entre-eixos – 2600 mm
Altura – 1514 mm

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