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segunda-feira, 8 agosto, 2011 - 20:34

SUVs: os invasores

Nasceram como veículos militares e tem de tudo para serem mais populares ainda

Por Bruno Vieira

Todo mundo já sonhou com um jipe. Seja um mais civilizado, seja um esportivo, seja um “quase-jipe”, seja um brucutu. Nascido como um veículo de guerra, com o passar dos anos, o jipe foi se tornando mais de rua do que de terra, ganhou outras funções, como transporte de famílias ou de cargas e hoje em dia representa um grande segmento automotivo. No Brasil, mais especificamente, os SUVs (Sport Utility Vehicle) podem ser considerados um atestado de sucesso da classe média. Com mais modelos a cada ano, essa fatia do mercado só tem a crescer por aqui e a previsão é boa, com unidades importadas a serem nacionalizadas em breve, além de mais opções, em todas as faixas de preço.

A história desses modelos começa lá na Segunda Guerra Mundial, nos anos 40, com a criação de modelos específicos para o conflito armado, como o Jeep (partiu daí a adaptação do nome). Aos poucos, mais jipes foram sendo criados, em dois “fronts”, para não perder o militarismo: os mais compactos, destinados praticamente a rodar em terrenos acidentados, e os familiares que nasceram praticamente para transportar cargas ou pessoas, sem o mínimo de conforto.

Dos Estados Unidos, podemos citar, além do Jeep, alguns outros modelos que marcaram o mercado automotivo mundial: o Cherokee, que nasceu nos anos 60 como Jeep Wagoneer e iniciou o processo de levar esses modelos para as ruas asfaltadas e para as casas de subúrbio de grandes centros urbanos e o Ford Explorer. O modelo da oval americana substituiu o Bronco que, como seu nome diz, era pouco amigável ao anda-e-para urbano e se tornou um dos modelos mais vendidos do mercado norte-americano por anos, espalhando mundo a fora o conceito de Sport Utility.

Em outras localidades do mundo, foram surgindo algumas lendas, muitas delas ainda em produção atualmente. No Japão, surgiam o Mitsubishi Pajero, o Toyota Land Cruiser (lançado no pós-Guerra e os brasileiros conhecem como Bandeirante), ambos continuam até hoje sendo referência, não só em comportamento 4x4, mas em muito luxo. Na Europa, quer dizer, no Reino Unido, também no contexto militar dos anos 40/50 surgiu o Land Rover que, ao passar das décadas, deixou de ser um carro para se jogar no barro e sim para passear com a família. Poderia ficar horas aqui destrinchando modelos clássicos e suas histórias, mas é preciso situar a história dos SUVs por aqui.

Nos anos 50/60, desembarcou no Brasil o Jeep Willys, derivado do americano, que ficou durante anos no mercado, destinado a um nicho de mercado bem específico. O modelo acabou sendo fabricado pela Ford até 1983 e deu origem a um pioneiro: a Rural. Derivada do indestrutível Jeep, o modelo, que teve variação picape, foi o primeiro SUV brasileiro. Apesar de sua robustez e força serem perfeitos para estradas vicinais e atividades de trabalho, a Willys do Brasil tentou mostrar o lado familiar da perua em peças publicitárias. Até que conseguiu. No fim de sua produção, em 1977, a Rural era vista também como um carro familiar. Outro modelo, derivado de picape (uma tendência na maioria dos modelos), também foi precursor de EcoSports e Tucsons: a Veraneio.

Nascida como Amazona em 1959, o carro da Chevrolet tentou fazer frente à Kombi como modelo familiar, mas, devido ao seu espaço, acabou servindo mesmo como carro de polícia, nos “anos de chumbo” do regime militar. Seu estilo clássico durou até 1989, quando chegou à versão quadrada, que ganhou itens de conforto, como ar condicionado e direção hidráulica, mas pouco acessível às famílias, devido ao seu alto preço. Havia também a opção duas portas, pouco prática, a Bonanza, raríssima nos dias de hoje.
Até o lançamento da Blazer em 1995, o brasileiro teve que se virar com esses dois modelos  (Rural e Veraneio), ou com as famosas adaptações de picapes (Ford F-1000 e GM D-20), de empresas como Souza Ramos, Tropical, entre outras, que faziam variações um tanto quanto exóticas de utilitários nacionais, de modo a criar as próprias “minivans” e SUVs no Brasil. O fenômeno dura, em menos intensidade, até hoje, com transformações de F-250 em modelos de até 6 (!!!) portas, enormes.

A Blazer representou um divisor de águas no Brasil. Com a abertura das importações, os mais endinheirados podiam comprar Pajeros, Pathfinders, Cherokees e Explorers, mas o consumidor classe média ficava de fora, apenas sonhando com um “jipão”. O modelo derivado da S-10 veio para quebrar este paradigma: com motor 2.2 (um tanto lerdo, admite-se) e versões a diesel, foi sucesso imediato. Rapidamente se tornou uma paixão nacional. Até o início dos anos 2000, pouca coisa aconteceu nesse segmento, a não ser com a chegada de modelos mais compactos, ainda importados, como Kia Sportage, Mitsubishi Pajero iO e Toyota RAV-4, entre outros. Mas entre os nacionais, monopolizava a Blazer, que ganhou reestilizações, tração 4x4, motor V6 e continuou nas graças do povo.

Outra revolução veio em 2003. Pouco tempo depois do lançamento da Pajero nacional, a TR4, a Ford pegou a plataforma do Fiesta 2002 e criou o EcoSport, o primeiro SUV compacto fabricado no Brasil. Custando pouco mais que um hatch médio, o Eco, com versões 1.0, 1.6 e 2.0, se tornou rapidamente um sucesso absoluto. Rapidamente, as montadoras nacionais começaram a agir, intensificando seus “aventureiros urbanos” que se tratavam apenas de compactos revestidos de plástico, sem a altura do Eco, um de seus principais atributos.

O Tucson, atualmente fabricado no Brasil, foi o primeiro a tentar ameaçar o domínio EcoSport. A partir de 2007, quando começou a vender muito bem, o SUV da Hyundai tem dividido o coração daqueles que desejam um “jipinho altinho” com preço moderado, na faixa dos 60 mil reais. Até hoje pouca coisa foi criada nesse aspecto, mas o futuro nos reserva alguns “anti-Eco”, que ganhará segunda geração em breve. Em dois meses, a Renault vai botar no mercado o Duster, derivado do Logan e que promete abalar o segmento, por seu baixo custo. A GM lançará em alguns anos um SUV compacto derivado da plataforma do Opel Corsa D e a Fiat deve substituir a próxima geração da Palio Weekend por um “crossover” (um SUV mais civilizado ainda).

Atualmente, vemos um mercado diversificado, com extratos de segmento: os compactos, até 70 mil, onde dominam EcoSport, Tucson e Pajero; os médios (incluem-se os “crossovers”), onde disputam modelos como Honda CR-V, Kia Sportage, Hyundai ix35, entre 70 e 100 mil reais; acima, temos os grandes, como Kia Sorento, Hyundai Santa Fe, Toyota SW4 e por aí vai: o céu é o limite. A posição alta de dirigir, a distância ao solo, a praticidade e o espaço e, principalmente, o status dos SUVs, sejam grandes, pequenos ou “híbridos”, devem ganhar mais e mais adeptos nos próximos anos. Garanta o seu.

Bruno Vieira é carioca, flamenguista, estudante de jornalismo (ECO-UFRJ), locutor e vive apaixonadamente o mundo dos carros desde a "leitura" de sua primeira revista especializada, aos 3 anos de idade. Não dispensa uma boa conversa de mesa de bar.

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