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sexta-feira, 17 junho, 2011 - 12:20

Sonho do imposto racional

Estratégia fiscal do governo precisa priorizar emissões e consumo, não cilindrada

Como se esperava, o grau de interesse de produtores, fornecedores, especialistas e do próprio governo saltou aos olhos durante a realização da Ethanol Summit (Cúpula do Etanol) 2011, semana passada em São Paulo. A cúpula internacional é organizada bienalmente desde 2007 pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) e este ano atraiu mais de 1.500 participantes. Sua importância cresce porque o etanol se transformou no principal biocombustível utilizado no mundo, especialmente, no Brasil.

Para constatar os benefícios da menor emissão de gás carbônico (CO2) – uso do etanol e o crescimento da cana-de-açúcar no campo sequestram 80% das emissões deste gás no escapamento dos motores – os visitantes viam um carbonômetro. Era só uma tela digital registrando o quanto de carbono estava deixando de ir para a atmosfera e colaborar para o efeito estufa, ao se consumir etanol em substituição aos combustíveis fósseis (gasolina, diesel e GNV).

No ano passado, os 22 bilhões de litros de etanol produzidos abasteceram 45% da frota brasileira de automóveis e comerciais leves. E se a preferência pelos motores flexíveis continuar a atrair quase 90% dos compradores de veículos novos, já em 2020 o combustível vegetal responderá pela movimentação de 60% da frota nacional. Para tanto serão necessários 60 bilhões de litros, volume que exigirá enorme esforço público e privado para ser alcançado.

Dinheiro, aparentemente, não faltará, pois três gigantes da indústria do petróleo tiveram participação ativa nos dois dias da conferência e já se associaram a usineiros brasileiros. Porém, nesse nível de produção os volumes de estocagem absorveriam grandes recursos financeiros, sem contar perdas por evaporação nos cinco a seis meses de entressafra e até riscos de incêndio. Por isso, fórmulas mais criativas teriam de ser desenvolvidas. A internacionalização do etanol e um planejamento efetivo de produção, exportação e até importação estão entre as prioridades.

Por outro lado é necessário evoluir tecnicamente os motores, além do que já se alcançou. A indústria se acomodou, deixando de aposentar o arcaico sistema de partida em dias frios com gasolina, só para citar um item. Nos corredores da Ethanol Summit voltou-se a ouvir rumores sobre a esperada mudança na estratégia fiscal do governo. Os impostos deverão ser calculados por emissões e não mais só pela cilindrada. Passaria a se valorizar carros de menor consumo de combustível, consequentemente menos poluentes.

No painel dedicado à tecnologia, se abordou o tema dos veículos híbridos, com motor elétrico e a combustão, só que flex, em substituição aos a gasolina ou diesel. Adaptação seria fácil, contudo o custo elevado se transforma em barreira, mesmo se houvesse incentivos fiscais.

A alternativa do downsizing revela-se muito mais interessante. Motor de cilindrada reduzida, porém despertado por turbocompressor (solução sob medida para um flex), injeção direta de combustível e gerenciamento eletrônico das válvulas para alcançar mesmo desempenho e diminuir consumo. Para tal, impostos menores – e inteligentes – precisariam ser adotados. Chegaremos lá em algum dia? Por enquanto, não passa de sonho.

RODA VIVA

APESAR da expectativa de relançar o subcompacto Fiat 500, em agosto, a preço mais baixo por vir do México sem imposto de importação de 35%, ainda não seria adotado agora o motor flex exportado do Brasil (como faz a Ford em relação ao novo Fiesta). O 500 teria motor de 1,4 l/Multiair – mais potente que o atual – fabricado nos EUA, segundo fontes mineiras.

AVANÇO das caixas de câmbio manuais automatizadas (robotizadas) de duas embreagens será substancial em nível mundial. Segundo a TRW, uma das maiores fabricantes do equipamento, as vendas mais do que triplicarão até 2016. Trocas super-rápidas de marchas e economia de combustível são algumas das vantagens sobre as automáticas convencionais.

INSPEÇÃO técnica veicular (segurança e ambiental unificadas) e cintos de segurança de três pontos no banco traseiro estão entre as ênfases da Associação Brasileira de Engenharia Automotiva, presidida por Franco Ciranni. A entidade também dará especial atenção a trânsito/transporte, apoiando, entre outros, o avançado projeto europeu Viajeo.

SURPREENDE no novo Passat a agilidade proporcionada pelo motor turbo TFSI 2.0/211 cv. Aliado ao câmbio automatizado de seis marchas, bons freios e espaço interno, é fortíssimo competidor entre médios-grandes.  Dos opcionais, destacam-se frenagem de emergência em cidades e estacionamento guiado em vagas longitudinais e, agora, também transversais.

CORREÇÕES: no ano passado, 51% da produção mundial da GM foi de modelos Chevrolet, que somaram 4,27 milhões de unidades. A marca voltará à Fórmula Indy, fornecendo motores, já em 2012. Quanto ao mexicano March, o compacto da Nissan está confirmado para chegar às concessionárias brasileiras somente em outubro, como previsto no último Salão de São Paulo.

Fernando Calmon é jornalista especializado desde 1967, engenheiro e consultor técnico, de comunicação e de mercado. Escreve todas í s terças-feiras para o AutoDiário.

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