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segunda-feira, 9 maio, 2011 - 12:00

Seminário discutiu eficiência de motor a etanol e hibridos

Com presença de participantes ilustres, seminário apontou a necessidade de politicas publicas para o setor

Palio Weekend elétrico desenvolvido em parceria da Fiat com Itaipu Binacional

Na ultima quarta feira, dia 4 de maio, o Instituto Nacional de Eficiência Energética apresentou o seminário “O Etanol na Era do Veículo Elétrico”, que discutiu soluções para problemas enfrentados hoje pela cana-de-açucar, hoje a segunda fonte de energia mais usada no pais, atrás apenas do petróleo. Em algumas palestras houve destaque, também, para as experiência de uso combinado entre a energia elétrica e o etanol.

Só para se ter uma idéia: além de ficar apenas abaixo do petróleo, hoje a energia gerada pela cana equivale ao dobro de energia hidráulica do país, segundo informações do Jayme Buarque, diretor do INEE.

Apesar do sucesso do etanol no pais, único e exemplar para o restante do mundo, sua eficiência energética na cadeia é desperdiçada, desde a colheita até seu uso nos motores à combustão, normalmente inadequados para o combustível. A baixa taxa de compressão nos automóveis é uma das responsáveis por essa perda. Destacou, ainda, que é preciso reavaliar a importância do etanol como combustível automotivo, considerando as novas gerações de veículos elétricos em desenvolvimento no Brasil e no mundo, tanto os exclusivamente elétricos quanto híbridos.

Sobre o etanol, ainda, o Professor Nigro, da USP, deu destaque às propriedades do etanol, homogêneo e de elevada octanagem. Aproveitando o gancho, na palestra seguinte Marco Langeani, da Next Engine Automotives apresentou um projeto de motor a etanol que aproveita bem essas possibilidades, em motores de alta potência e tamanho reduzido, sendo apropriados para o transporte de cargas pesadas e, também, para equipar veículos elétrico-hibridos feitos em série.

Em relação ao uso de etanol no transporte pesado urbano, o projetista Antonio Vicente de Souza e Silva, responsável por centenas de ônibus elétricos brasileiros (entre trólebus e híbridos), afirmou que híbridos a etanol não são apenas viáveis, mas altamente desejáveis. Ele citou que em avenidas importantes da cidade de São Paulo, como a Av. 9 de Julho, com grande concentração de ônibus a diesel, diversas lojas foram fechadas por causa da sua presença, assim como a saúde dos que trabalham ali hoje é prejudicada pelos particulados emitidos.

Ainda sobre o tema, Antônio Cardozo, Diretor de Operações da Itaipu Binacional apresentou o ônibus elétrico hibrido “plug-in” a etanol da empresa. Desenvolvido em apenas seis meses para reunião do MERCOSUL no final do ano passado para uso pela empresa, é um protótipo cujos testes vão orientar a fabricação de outros seis ônibus que a ELETROBRÀS vai usar em apoio aos eventos esportivos da Copa do Mundo e Olimpíadas.

Em seguida, Jayme Buarque voltou demonstrando o elevado consumo de diesel na lavoura da cana, especialmente na colheita e no transporte. Há perspectiva de aumento nesse consumo, especialmente com as usinas novas mais distantes e, também, com a mecanização da colheita.  Defendeu o uso da eletricidade e da cana nessas máquinas, já que ambos são abundantes nas usinas. Apresentou uma solução que, no lugar de usar um “cavalo mecânico” para arrastar reboques, propõe o uso de um pequeno caminhão (“cavalo elétrico”) que atua como uma plataforma de geração elétrica e dos sistemas de baterias. A energia alimenta motores elétricos instalados nos eixos dos reboques que deixam de ser arrastados como atualmente. A solução tem vantagens como principal vantagem o aumento de carga útil. Como curiosidade, lembrou que foi usada por Ferdinand Porsche durante a primeira guerra mundial para arrastar um canhão de 100 toneladas.

Foi estabelecida uma mesa redonda para gerar soluções concretas para tornar viável o desenvolvimento de híbridos movidos por eletricidade e etanol. Especialistas presentes apontaram que não há contradição entre tais motores: há, sim, espaço para o uso de todas as tecnologias. Outro consenso é que as soluções que o mercado irá apresentar dependerão, principalmente, de políticas publicas para o direcionamento de soluções de acordo com o interesse do país.

O desenvolvimento de motores a etanol de alto rendimento e seu uso em veículos elétricos híbridos seriais pode apresentar resultados a curto prazo e deve ser privilegiado. Resta o incentivo e desenvolvimento de políticas públicas sobre o tema para tornar isso uma realidade.

Por Guilherme Lopes, com informações do INEE (Instituto Nacional de Eficiência Energètica)

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