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terça-feira, 24 agosto, 2010 - 15:17

Fiesta Americana

Nova geração do Ford Fiesta chega ao Brasil rapidamente embalada pelo mercado de carros pequenos nos EUA

Pensar pequeno entrou na moda. Pequeno, no caso, carros compactos sedãs ou hatches. Derrick Kuzak, vice-presidente de Desenvolvimento Global de Produtos da Ford, falando aos jornalistas brasileiros em Dearborn, EUA, semana passada, ressaltou que de 2002 a 2012 as vendas mundiais desses modelos terão saltado de 23 milhões para 38 milhões de unidades/ano. Até lá representarão metade dos automóveis de passageiros comercializados no mundo.

Mesmo nos EUA, onde a cultura pelo grande e o biotipo dos compradores não ajudam, os compactos conquistaram 21% do mercado, incluindo SUVs, picapes e minivans, em 2009. Nesse cenário, o Brasil vai mais longe, pois adicionadas todas as derivações representam 80%.

Essa constatação levou a Ford a importar do México o New Fiesta, sedã compacto lançado há apenas dois meses nos EUA. É a sexta geração do modelo, cuja versão hatch alcançou grande sucesso há dois anos na Europa. Aqui conviverá com o Fiesta atual, rebatizado de Rocam. No primeiro trimestre do próximo ano chegará também o hatch mexicano, porém ambos serão fabricados em Camaçari (BA), no final de 2012.

A fábrica posicionou o novo Fiesta na faixa “premium”, começando nos R$ 50 mil e mirando principalmente no bem-aceito Honda City, além do Polo e 207 Passion. Na realidade, a aposta maior é na versão de R$ 55 mil, de sete airbags (inclui proteção para joelhos do motorista) e R$ 8 mil mais barata que o City completo. Compete ainda com o Linea (compacto “limusine”, de entre-eixos “esticado”) e pelo jeito incomodou até a Kia. O importador baixou o preço de entrada do Cerato – maior e mais largo, de segmento superior – para R$ 50 mil.

Com linhas atraentes – até ousadas –, o novo sedã vem bem equipado, aproveitando a isenção do imposto de importação sobre veículos mexicanos. Direção com assistência elétrica e autocompensação de deriva, volante regulável em altura e distância (esta, acima dos padrões) e banco do motorista ajustável em altura, além de boa calibração de suspensões e motor 1,6 l/115 cv, valorizam em especial o prazer de dirigir.

Material de acabamento é bom e o para-brisa acústico ajuda no silêncio a bordo. Console segue o estilo arrojado do carro, mas precisaria de um sistema de áudio com recursos extras. Há vários porta-objetos e o porta-luvas comporta invejáveis 9 litros de volume.

Apesar de 18 cm mais longo que o Fiesta atual, o novo não oferece espaço superior no banco traseiro, pois manteve a distância entre eixos de 2,49 m. Volume do porta-malas 8% menor e tanque de combustível com 47 litros (7 l a menos) são a contrapartida ao conjunto visual harmonioso. Falta a opção, oferecida na América do Norte, da interessante caixa de câmbio automatizada, de duas embreagens e seis marchas, mas sem seleção sequencial a fim de cortar custos.

Embalada por esse lançamento, a Ford confirmou a importação de um volume limitado do Fusion híbrido, no final do ano. Trata-se de um híbrido verdadeiro, 30% mais caro que o modelo convencional. Alguma coisa, porém, aponta aparente desinteresse mundial por essa tecnologia. A Toyota anunciou ter cortado em 25% a vistosa previsão de produção do pioneiro Prius, em 2011.

RODA VIVA

COMPACTOS igualmente estão nos planos da Kia. Vai esperar a reformulação total do Rio, prevista para o segundo trimestre de 2011, para importá-lo já com motor flex. Previsão de chegada: final do próximo ano. Sul-coreanos querem cobrir todas as brechas de mercado. Subcompacto Picanto é insuficiente para concorrer com tudo que vem aí, inclusive chineses...

PEUGEOT já distribuiu fotos do novo sedã médio-compato 408, fabricado na Argentina e igual ao homônimo chinês.  Estará no Salão do Automóvel de São Paulo, em outubro, mas as primeiras entregas, só em 2011. Compartilha a mesma arquitetura do C4 Pallas. Dessa vez a marca francesa dispõe de um produto bonito, antítese do sedã 307 que nunca emplacou.

VOLTARAM rumores sobre a Volkswagen comprar a Alfa Romeo, da Fiat. Intenção seria substituir a problemática marca espanhola Seat. Italianos negam de mãos e pés juntos. Apresentaram até planos de catapultar as vendas da Alfa, das atuais 100.000 para 500.000 unidades/ano até 2014. Poucos acreditam pelos problemas de imagem da marca e exigências financeiras.

ASTON Martin, representada pelo Grupo SHC, de Sérgio Habib, abriu primeira loja em São Paulo (SP) e já vendeu 12 unidades. Com a força da novidade, no primeiro mês deve ter se tornado a número um entre as 125 concessionárias da marca inglesa no mundo. Previsão é de 60 unidades/ano. Preços vão de R$ 600 mil (Vantage) a R$ 1,35 milhão (DBS V-12).

MAIS uma esperteza, dessa vez quanto à troca a intervalos fixos do fluido de direções assistidas hidraulicamente. Algumas oficinas “sugerem” que a cada 20.000 quilômetros se faça a substituição. Só há necessidade de intervenção no sistema em caso de vazamento de óleo ou defeito grave, que obrigue abertura da caixa de direção, por exemplo.

Fernando Calmon é jornalista especializado desde 1967, engenheiro e consultor técnico, de comunicação e de mercado. Escreve todas í s terças-feiras para o AutoDiário.

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