O mercado automobilístico apresenta nuances que valem a pena analisar. Tome-se o exemplo do segmento de picapes médias que, ano passado, somou 110.000 unidades ou 3,5% do total de veículos vendidos aqui. Cerca de metade é de cabines duplas e tração 4x4, utilizadas como transporte familiar e em excursões esparsas fora da estrada. No entanto, por se ter tornado altamente lucrativo, há nove concorrentes em disputa feroz.
Nas vendas globais, essas picapes representam também cerca de 3% ou 2.000.000 unidades/ano. Isso despertou a atenção da Volkswagen, que almeja ser o maior fabricante de veículos, deslocando a Toyota. Assim nasceu a Amarok. O projeto da primeira picape média do grupo originou-se na Divisão de Veículos Comerciais, na Alemanha. Partiu do zero, de uma folha em branco, e levou cerca de cinco anos ao custo nada modesto de US$ 450 milhões. Ironicamente, o alvo principal é a Hilux, mesmo modelo já produzido pela Volkswagen, na Alemanha, com o nome de Taro, entre 1989 e 1997, em associação com os japoneses.
A projeção é de comercializar 10.000 unidades no Brasil em 2010, a partir de abril, e dobrar em 2011. De início, a Amarok estará disponível apenas na versão de topo Highline, cabine dupla, tração 4x4 temporária, câmbio manual de seis marchas e motor biturbodiesel de 163 cv. A empresa ainda não anunciou o preço. Na Argentina, único país onde é fabricada, estima-se que custará R$ 80.000,00. Acrescentando-se 40% da diferença de impostos, margens de concessionárias, fretes externo e interno, seriam R$ 112.000,00 aqui. Mais a fornida gama de opcionais, pode superar os R$ 120.000,00, da Hilux SRV equivalente. Esta ainda oferece câmbio automático, fora dos planos da VW.
Na apresentação e testes para a imprensa internacional, em Bariloche, Argentina, a Amarok impressionou pelo desempenho no asfalto/terra e os equipamentos. É a única a possuir bloqueio mecânico do diferencial traseiro ao engatar a reduzida (além do bloqueio eletrônico tradicional nas quatro rodas). O ângulo de arrancar em subidas vai a nada menos de 45 graus (100%, referência técnica). Ao impressionante torque do motor alemão (40,7 kgf·m contra 35 kgf·m da Hilux) somam-se trocas de marcha precisas e engates curtos da caixa ZF (feita em Sorocaba) inteiramente nova. Indicador de escolha de marchas no painel ajuda na economia de combustível, alongando a autonomia a até pouco mais de 1.000 km.
Características técnicas apontam robustez e sua capacidade de carga, 1.147 kg, a maior do segmento. Porém, o motorista não percebe tanto a sensação de guiar uma picape desengonçada. Volante com boa assistência hidráulica e diâmetro semelhante ao de veículos menores, ótimo apoio para o pé esquerdo e pneus largos 255/60 R18 (Goodyear) fazem a diferença.
A cabine dupla tem 5,32 m de comprimento e 3,09 m de distância entre eixos, quase as mesmas medidas da Hilux. Mas a Amarok é 11 cm mais larga (1,95 m) e 2 cm mais alta (1,83 m). Isso a torna referência em termos de espaço para cinco passageiros adultos, inclusive no banco traseiro, onde a angulação das pernas e do encosto evoluiu em relação aos concorrentes.
RODA VIVA
ECOSPORT 2011, lançado em fevereiro, repete estratégia utilizada pela Ford e outros fabricantes. Mecanicamente sem diferenças, os retoques em algumas versões restringiram-se à grade, cromo escuro nos faróis, logotipo do modelo no extremo do capô (inspirado nos Land Rovers, ex-Ford, hoje Tata), rodas e bagageiro de teto, agora longitudinal.
NOVA iluminação diurna do quadro de instrumentos e tecidos diferentes também estão no ainda único SUV derivado de um compacto, o Fiesta. A fábrica abriu o bolso e cortou o preço, em média cerca de 5%, em todas as versões do campeão EcoSport. E estendeu a garantia total de um para três anos. Sinal de que a concorrência, mesmo indireta, vem avançando ultimamente.
VENDAS em janeiro caíram, como acontece quase todos os anos, em relação a dezembro. Segundo a Anfavea, queda de 28% não está fora da média. Os estoques subiram de 26 para 36 dias, antecipando-se a um fevereiro curto e ao fim dos incentivos para motores flex em março, que exigem produção em alta. Positivamente, o nível de emprego continua a subir.
BOM momento do mercado no Brasil levou a mais uma estatística surpreendente. Pela primeira vez nos 111 anos de história da Fiat, a filial brasileira conseguiu, em 2009, vender mais veículos aqui do que a matriz na Itália. Isso se deu em razão da fase difícil da economia europeia e da Itália em particular. Mas tende a se consolidar com o passar do tempo.
QUEM sentir que a redução de 25% para 20% do teor de etanol na gasolina gerar detonação (a popular “batida de pino”) tem alternativas. Ocorre em motores a gasolina antigos ou em alguns flex que migraram para o combustível fóssil nesse momento de etanol caro. Pode-se misturar gasolina premium ou, mais barato, adicionar três a quatro litros de etanol.
Fernando Calmon é jornalista especializado desde 1967, engenheiro e consultor técnico, de comunicação e de mercado. Escreve todas í s terças-feiras para o AutoDiário.
![]()


Autodiário no Twitter
Autodiário no Facebook
Autodiário no Orkut
Assine o RSS do site