
Chamado na Europa de segmento M2, os modelos médio-grandes à venda no mercado brasileiro são todos importados. No velho continente, representam cerca de 20% do mercado total ou mais de três milhões de unidades anuais. Aqui ocupam menos de 2% das vendas de automóveis, mas a disputa é grande. Importado do México sem imposto, o Fusion vem apresentando desempenho destacado por seu preço extremamente competitivo. É nessa faixa que a Citroën vai colocar o renovado C5, nas versões sedã e station. Na Europa, as vendas começam esse mês e no Brasil só em novembro ou dezembro.
A maioria dos M2 é adquirida por meio de leasing para funcionários de alta gerência da empresas européias. Trata-se de um publico exigente e a marca francesa se preparou para atender os pré-requisitos. Entre eles estão o nível de qualidade percebida e o silêncio no habitáculo. Para isso selecionou novos materiais agradáveis ao tato e à visão. Desceu a pormenores como couro liso de alta gama, friso de alumínio com textura, relevo e cor especiais aplicado no volante e painel, além do isolamento triplo de borracha nas portas.
Suas linhas são modernas e esguias com laterais esculpidas. Apesar de a frente manter-se tipicamente Citroën, sob outros ângulos segue a escola alemã de estilo. O carro cresceu em dimensões, se comparado à geração anterior: 4,78 m de comprimento, 1,86 m de largura e 2,81 m de entreeixos, respectivamente, mais 4 cm, 8 cm e 6 cm, o que aumentou o espaço interno. Mas o porta-malas diminuiu de 471 para 439 litros, possivelmente para ampliar o tanque de combustível de 66 para 71 litros. A grande porta traseira foi substituída por uma tampa convencional.
Quanto aos concorrentes atuais, só perde por pouco para o habitáculo do Mondeo, sendo superior ao Laguna e ao Passat. Seu preço estimado no Brasil começa em R$ 90.000,00 e com opcionais como teto solar e dois airbags extras (além dos sete de série) pode chegar a R$ 98.000,00. A Citroën importará apenas a versão com motor de 2 litros/143 cv, câmbio automático e suspensão hidropneumática. Na Europa há opção de molas e amortecedores convencionais pela primeira vez no C5 para alcançar um preço mais competitivo. Lá o comprador pode escolher entre quatro motores a diesel e três a gasolina.
Entre os equipamentos distinguem-se freio de estacionamento elétrico, aplicação automática dos freios por dois segundos ao partir em subidas ou descidas, bancos elétricos com regulagem assistida do ângulo de inclinação dos encostos de cabeça (recurso inédito na categoria), faróis direcionais de xenônio, alerta de mudança involuntária de faixa, sistema de avaliação do espaço disponível para estacionar e telefonia viva-voz sem fios (Bluetooth).
A avaliação do C5 ocorreu em um trajeto de quase 300 quilômetros entre Lisboa e Óbidos (Portugal), mesclando auto-estradas, trechos urbanos e estradas vicinais. A suspensão hidropneumática é um dos pontos altos do carro porque mantém inalterada a distância ao solo. Permite, ainda, adaptar para condição mais firme ou mais macia, por tecla no console, em função da qualidade da pavimentação, traçado da via e o prazer do motorista. Característica da marca, o volante possui parte central fixa, permitindo que vários comandos sejam aplicados no cubo, melhorando acesso e ergonomia. Só o aro se movimenta e, ao contrário do que se poderia imaginar, é muito fácil de guiar. O cubo fixo assegura um airbag de formato ideal. Um dia todos os carros deveriam adotar essa solução simples e eficiente.
O desempenho é bom, mas o carro ficou um pouco mais lento em relação ao modelo anterior porque está 150 kg mais pesado e tem maior área frontal. Ideal se possuísse um câmbio automático de cinco marchas, uma a mais do que é oferecido. Os freios, bem dimensionados, são eficientes. Visibilidade e luminosidade interna se realçam pelas três janelas laterais, sem contar as discretas janelinhas fixas junto às colunas dianteiras – pequenas, porém úteis.
A versão station wagon virá só sob encomenda e entre vários pormenores interessantes sobressai uma lanterna recarregável embutida na lateral do compartimento de bagagem.
Texto: Fernando Calmon, de Lisboa e Óbidos
Fotos: Patrick Legros e divulgação

Autodiário no Twitter
Autodiário no Facebook
Autodiário no Orkut
Assine o RSS do site