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terça-feira, 19 janeiro, 2010 - 16:42

Europa é inspiração

Mercado europeu agora também é a referência para os norte-americanos no Salão de Detroit

Poucas vezes um salão no exterior apresentou tantas novidades interessantes ao mercado brasileiro. Isso aconteceu no Salão Internacional do Automóvel da América do Norte, mais conhecido como Salão de Detroit, que se encerra dia 24. Tudo porque as três grandes marcas de Detroit deram uma guinada, em termos de novos produtos, na direção da Europa. A determinação é oferecer carros menores e econômicos, alinhados aos novos tempos e à decisão do governo americano de diminuir o consumo de combustível e controlar emissões gasosas.

A Ford pulou à frente ao apresentar a nova geração do Focus (para 2011) e anunciar que os seus produtos, a partir de agora, terão estilo unificado em todos os países e intervalos breves entre os lançamentos. Significa que no máximo no segundo semestre de 2012, quando o atual Focus estará completando quatro anos, passará a ser fabricado na Argentina. Anunciou também que motores brasileiros equiparão o Fiesta, produzido no México para exportação aos EUA e Canadá. A coluna antecipa: novo Fiesta sedã mexicano estará aqui já em meados desse segundo semestre, convivendo com atual linha feita em Camaçari (BA) e que receberá retoques estilísticos até abril. O novo Fiesta também será fabricado na Bahia, no final de 2011.

Caminho um pouco diferente segue a GM. Seu centro de desenvolvimento na Coreia do Sul (Daewoo) gerou o Spark, base da nova linha de compactos para venda nos EUA e a ser fabricada em Gravataí (RS). Já o Aveo RS, mostrado em Detroit como carro-conceito, não se destina ao Brasil, onde se produz o Agile. Outro produto escalado para o País, o Chevrolet Cruze (sucessor do Vectra), embora projetado pela Daewoo utiliza arquitetura do alemão Opel Astra. O Insignia, da Opel, também serviu de base ao interessante Buick Regal GS: exportação aos EUA ainda a definir.

Fiat e Chrysler estiveram juntas pela primeira vez em Detroit, mas não mostraram novidades, salvo um Lancia Delta com grade e logotipo da marca americana. Na realidade, o chassi do Delta será alargado e esticado e a carroceria, toda nova. Nada, porém, antes de 2012. A Fiat desmentiu rumores de que a Alfa Romeo estaria à venda, em breve. Sergio Marchionne, principal executivo dos dois grupos, afirmou à coluna que “seria mais fácil recolocar Alfa Romeo no Brasil do que nos EUA”. No entanto, planos para a grife de Milão parecem congelados.

O gigantesco mercado americano vendeu 10,4 milhões de unidades em 2009, perdendo a liderança pela primeira vez para a China (sem caminhões, os EUA ainda ficaram um pouco à frente). Marcas asiáticas (japonesas e sul-coreanas) atingiram quase 50% de participação – o dobro de 10 anos atrás.

Burburinho em torno de veículos híbridos e elétricos continuou neste salão. A Toyota reforçou, ao apresentar o conceitual compacto FT-CH, seu foco nos híbridos, menos do que nos elétricos a bateria ou pilhas a hidrogênio. A ideia é produzir veículos que nasceriam híbridos – como o pioneiro Prius – sem versão apenas com motor convencional. Nesse caminho aparece também a Honda. O cupê compacto CR-Z híbrido surgiu em Detroit praticamente definido, mas a marca nipônica ainda o apresentou como modelo-conceito.

RODA VIVA

NOVO Focus sedã, antecipado no Salão de Detroit, segue a tendência de tornar o desenho diferenciado em relação ao hatch. Foi-se o tempo de simplesmente adaptar um porta-malas saliente, sem bons resultados estéticos. A Ford já havia tomado esse cuidado ao apresentar o Fiesta, desde quando os protótipos apareciam nos salões com o nome provisório Verve.

Dois brasileiros, os irmãos José Carlos e Marcos Pavone, estavam no estande da Volkswagen, em Detroit. Descobertos no concurso anual de universitários, especialistas em desenho de carroceria, foram “exportados” de São Bernardo para Wolfsburg. Colaboraram no projeto do bonito cupê conceitual NCC, base do novo Jetta mexicano. Exportação ao Brasil só em 2011.

Diretor de planejamento de produto da Fiat, Carlos Eugênio Dutra, se deixou de negar que o Bravo será fabricado em Betim, assegura que não chegará neste ano, apesar dos rumores em contrário. Explicação pode estar nos retoques externos que o Bravo acaba de receber na Itália. Provavelmente, Betim quer evitar a sempre prejudicial defasagem com a Europa.

Nova fábrica de motores da GM em Joinville (SC) – cronograma em atraso – irá além de simplesmente aumentar a produção das Famílias I e II atualmente em produção. Haverá uma nova geração na linha de montagem, conforme antecipou a coluna. Jaime Ardila, presidente da companhia no Mercosul, já sinaliza nesse sentido, embora desconverse sobre prazo.

Holanda, a partir deste ano, será o segundo país europeu, depois da Finlândia, a obrigar motoristas flagrados com alto teor de álcool no sangue a instalar bafômetro eletrônico no carro. O sistema só permite a partida do motor depois do autoteste. A lei, no entanto, só se aplica a quem superar em mais de duas vezes e meia o limite legal.

Fernando Calmon é jornalista especializado desde 1967, engenheiro e consultor técnico, de comunicação e de mercado. Escreve todas í s terças-feiras para o AutoDiário.

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